Arquivo da categoria ‘atuária’

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O que é Atuária?

Novembro 5, 2007

Sei que já fiz um post deste tipo aqui, mas muitas pessoas ainda não sabem o que é o curso de Ciências Atuariais e muito menos o que estudamos, para que estudamos. Então lá vai…

Nascida há aproximadamente 150 anos na Inglaterra, a atuaria tem como área mais tradicional de seus estudos aposentadoria e pensões, se estendendo para a área de seguros no século 20. Continuando sua expansão, nas últimas décadas, a concepção de que uma empresa de seguros ou de pensões faz farte do mercado financeiro, fez crescer a necessidade de um maior treinamento na área administrativa e financeira, especialmente em função dos riscos financeiros e econômicos.

Atuário é aquele profissional especializado em risco: baseia suas metodologias mais tradicionais em teorias econômicas, envolve suas análises numa forte manipulação de dados, num contexto empresarial. Portanto, atuária é uma área de conhecimento multidisplinar, onde o domínio de conceitos em economia, administração, contabilidade, matemática, finanças e estatística são fundamentais para o entendimento dos modelos atuarias mais elementares.

Atuária é dividida em dois ramos:

 

  • Ramo Vida – com características de longo prazo – estuda os modelos relacionados à aposentadoria, pensões, seguro de vida e saúde.
  • Ramo Não-Vida – com características de curto prazo – estuda os modelos relacionados a seguros em geral como automóveis, responsabilidade civil, entre outros.

Atua principalmente nos segmentos de:

  • Seguros e capitalização;
  • Previdência social e privada;
  • Resseguro; e
  • Instituições financeiras

No Brasil, a qualificação profissional tem que ser realizada através do curso de graduação. Para se tornar atuário no Brasil, deve-se obter um diploma de graduação em ciências atuariais por uma universidade com curso credenciado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). Existem, atualmente, treze faculdades ministrando tal curso, tendo havido um forte crescimento nos últimos anos.

Fonte: PUC-Rio

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Quanto ao post anterior, que ninguém entendeu, ignora. hehehe

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A novela pode afetar a credibilidade dos fundos de pensão?

Setembro 15, 2007

Paulo César Chagas
11/09/2007  – Valor Online

As brigas e tramóias de Olavo (Wagner Moura) e Taís (Alessandra Negrini) versus Daniel (Fábio Assunção) e Paula (Alessandra Negrini) – Taís e Paula são gêmeas -, além de afetar o Grupo Cavalcante, tem respingado nos fundos de pensão brasileiros. A novela Paraíso
Tropical exibida pela TV Globo tem como um de seus núcleos a trama entre Olavo e Daniel, onde o primeiro tenta de todas as formas galgar o primeiro escalão do grupo, ocupado pelo segundo.

Na busca incessante pelo poder, Olavo arquitetou e concretizou a transferência de parte dos recursos financeiros do fundo de pensão criado pelo Grupo Cavalcante para uma conta no exterior, cujo titular é o Daniel. A transferência de recursos de empresa para pessoa física
no exterior não é nenhuma novidade, seja em nossos telejornais, seja em nossas telenovelas.

Na vida real, no entanto, Olavo teria sucesso nesta tramóia? Conseguiria transferir recursos financeiros de um fundo de pensão brasileiro para uma pessoa física no exterior? A resposta é não.

O entendimento desta afirmativa passa por algumas explicações relativas à estruturação da informação contábil dos fundos de pensão. Também é necessário abordar a importância da qualidade e veracidade das informações disponibilizadas aos participantes dessas entidades.
A qualidade da informação contábil nasce no desenho organizacional do Ministério da Previdência Social (MPS), onde o Conselho de Gestão de Previdência Complementar (CGPC), órgão legislador do segmento de fundos de pensão, tem em seu colegiado, presidido pelo ministro da Previdência, integrantes da esfera pública e privada, onde se destacaria o assento destinado a Associação Brasileira das Entidades de Previdência Privada (Abrapp). Ainda olhando a estrutura organizacional do MPS, percebe-se a existência da Secretaria de
Previdência Complementar (SPC), órgão fiscalizador do segmento.

O desenho organizacional dos fundos também exige obediência a conceitos de governança corporativa, risco operacional, conselho fiscal, “compliance”, risco de crédito, risco de mercado, planejamento de investimento, planejamento atuarial, entre outros fatores.

Na ficção escrita por Gilberto Braga, Daniel, após examinar os relatórios financeiros de seu fundo de pensão, confirma o desfalque e é informado pelo advogado do Grupo Cavalcante da possibilidade de ser punido pela fraude. Esta cena nos permite alegar por hipótese que Daniel é o responsável máximo pelo fundo de pensão e o que acontece é função direta de sua gestão, de sua vontade.

Na vida real dessas entidades, no entanto, esta cena teria dificuldade de ser filmada. Primeiro pela concepção do conceito de patrimônio dos fundos de pensão, isto é, o “dinheiro” pertencente ao fundo de pensão não guarda qualquer vinculo com o patrimônio da empresa patrocinadora – no caso, o Grupo Cavalcante – e sim com os empregados desta empresa empregadora.

Entretanto, cabe examinar outro fator que também vem demonstrar as diferenças entre a vida real daquela proposta pelo autor da novela. Na vida real, os fundos de pensão têm, por força de lei, uma estrutura organizacional que permite a participação tanto do patrocinador como do participante na gestão estratégica da entidade, inviabilizando, portanto, que a informação da fraude chegasse em primeira mão ao presidente do Grupo Cavalcante e não ao Conselho Deliberativo do fundo.

À luz da legislação vigente, o Conselho Deliberativo é o órgão máximo de um fundo de pensão, e caberá a este órgão definir, registrar e enviar ao órgão fiscalizador e a seus participantes a estratégia e aderência ao planejado, com os recursos financeiros para um período máximo de 12 meses. Ou seja, mesmo considerando que o Daniel fosse o diretor-presidente do fundo de pensão, seus atos estariam limitados à estratégia proposta pelo Conselho Deliberativo.

Como na vida real, os recursos financeiros de uma entidade fechada de previdência complementar são aplicados no mercado financeiro, renda fixa, variável, etc. Por força legal, esses recursos estariam custodiados em um agente credenciado pelo mercado. O ato de transformar ativos financeiros em espécie, por si só, afetaria o planejamento, acendendo, portanto, para todo o primeiro escalão do fundo uma luz, no mínimo amarela, de que não existe aderência entre o planejado e o realizado.

A qualidade da estrutura de informação contábil do segmento fechado de previdência complementar brasileiro não se esgota com estes exemplos. Na verdade, a preocupação foi de demonstrar que, como brasileiros, somos proprietários de um dos sistemas de previdência complementar mais seguro e transparente do mundo.
Paulo César Chagas é professor de Contabilidade de Previdência Complementar da Universidade Católica de Brasíli.